Sobre a mudança pessoal e suas dificuldades
- JAQUELLYNE BACHI
- 9 de jun. de 2021
- 2 min de leitura

No livro a sutil arte de ligar o foda-se de Mark Manson, em um momento, o autor fala sobre o nosso medo de perder nossa identidade. Ele coloca, e eu concordo, que quanto mais alguma coisa ameaça mudar a visão que você tem de si mesmo, mais você evitará fazê-la. Até porque, dentro da psicologia aprendemos que temos a tendência de captar as informações que confirmam nossas crenças e ainda ignorar ou excluir aquilo que não as corroboram.
Existe certo conforto em como nos vemos e somos, e qualquer coisa que ameace esse conforto nos amedronta, mesmo que a mudança tenha um potencial para melhorar a vida da pessoa.
Mark Mason deu um exemplo no livro de uma pessoa que viveu isso sem perceber. Ele conta que tinha um amigo que era muito festeiro, vivia saindo para beber e tudo mais. Só que depois de anos em euforia ele se viu solitário e deprimido. Aí decidiu mudar seu estilo de vida, ainda apresentava inveja dos amigos que tinham um relacionamento estável e eram mais sossegados. Mas nunca mudou, manteve esses mesmos comportamentos. Pois, abrir mão do seu estilo de vida ameaçava demais sua identidade. Ele só sabia ser assim. Ele só sabia ser o fanfagão.
Desistir disso poderia colocá-lo em conflito psicológico. Veja bem, temos nossos valores e nossas crenças, nós de alguma forma, mantemos e protegemos isso. Se você acredita que é uma pessoa “parceira”, com certeza irá evitar situações que colocaria isso em contradição, no livro ele fala isso claramente.
Mas digo que por isso a mudança é difícil, imagina o nível de ansiedade que nos submeteremos caso apareça algo que coloque a prova a nossa identidade. Imaginar viver de uma forma diferente, modificar hábitos e crenças, é um trabalho indiscutivelmente difícil. Há quem diga, inclusive o autor, que é impossível, que não temos como mudar. Nisso, eu fortemente não concordo, até porque trabalho com o processo de mudanças efetivas no mecanismo psicológico.
Reestruturar crenças é um processo, demorado e difícil. Ativar novos comportamentos é um processo, demorado e difícil. Mas acreditar que não se pode mudar pode ser mais um ato de “preservação” dessa identidade que precisa de mudanças.
O que você acha?